sábado, 11 de dezembro de 2010

Alugando carro em Toronto (e outros lugares no Canadá)

Oi pessoal,

Achei pertinente colocar esse post, pois há várias opções para locação de carro em Toronto (e imagino que muitas estejam disponíveis em outros grandes centros urbanos do Canadá).  Muuuuita gente aqui não tem carro - quem mora e trabalha em downtown normalmente não tem, pois apesar do carro ser barato o custo de manutenção, seguro, estacionamento etc muitas vezes não compensa: o melhor é ir e voltar pro trabalho de metrô/ônibus/streetcar e alugar um carro quando precisar.

Na semana seguinte que tiramos nossa super carteira G, fomos convidados pra uma pizza na região de Richmond Hill, que fica a uns 35 kms daqui de casa.  O meu marido já tinha ido até lá de transporte público e, apesar de ser fácil, demora 1 hora e meia, é preciso pegar 2 metrôs e um ônibus intermunicipal - o que acaba encarecendo também.  Multiplique isso por 2 pessoas ida e volta e a preguiça de ficar esperando sabe-se lá quando tempo pelo ônibus (aos finais de semana a frequência é muito menor), fomos estrear nosso aluguel de carro.

Alugamos o carro por 1 dia na empresa Enterprise - dei muita sorte, pois conseguimos desconto através de uma amiga e o aluguel ficou apenas $20.99 pra 1 dia (o normal nessa empresa em downtown é $30, que acho bastante razoável).  Dei o cartão de crédito pra cobrir o seguro e lá fomos nós.  A coisa "tricky" dessa empresa é que cada loja abre em um horário diferente no final de semana - para evitar ter que pagar 2 diárias, precisei ir até a única loja de downtown que abre tanto sábado quanto domingo.  Não preciso nem dizer que foi ótimo ter ido de carro - ao invés de 1 hora e meia demoramos apenas 30 minutos, de lá ainda fomos no shopping Vaughn Mills (que é o outlet daqui e eu queria conhecer há tempos) e ainda passamos na Ikea (já carregamos muitas compras da Ikea de metrô e é um pesadelo).  No dia seguinte antes de devolver o carro, ainda fomos comprar a ração da Joy (foi a sorte, pois a loja aqui perto de casa estava sem a ração dela e ninguém merece ir buscar de metrô o pequeno saco de 7.5 Kgs da dita-cuja) e ir no supermercado - vocês não imaginam a alegria que foi ir ao supermercado de carro, ah como a gente valoriza as pequenas coisas da vida!  Aqui perto de casa temos 2 supermercados, mas são bastante simples (e baratos), mas acabam tendo pouca variedade de produtos - acabamos indo num Loblaws que fica a 5 minutos de carro, mas no way ir andando ou de metrô.

A Enterprise também tem uma promoção bárbara aos finais de semana - de 6a a 2a, alugue um carro por $9.99 por dia!  Isso mesmo, 9.99 por dia!  O "catch" aqui é que a promoção só é válida nas lojas de bairro (pegamos esse final de semana e fomos até depois do fim de Toronto buscar o carro) e estão incluídos 100 Km por dia (ou seja, não dá pra usar pra fazer uma super viagem, mas pra resolver pendências, ir na Ikea, no supermercado, buscar alguém no aeroporto ou apenas passear...).

Todas as grandes locadoras como Budget, Avis, Alamo etc estão presentes aqui - e aí o importante é acompanhar as promoções.  A Alamo até pouco tempo estava com uma promoção ótima para final de semana também, com kilometragem ilimitada.  Uma outra opção é uma chamada "Wheels4Rent", que aluga carros usados - o bom deles é que o preço é fixo, sempre o mesmo, é só entrar no site e olhar.

Dicas importantes ao alugar:
- Checar quantos kilometros se pode rodar sem pagar extra - às vezes as promoções têm limitação e as distâncias aqui podem ser grandes!
- Ver se eles cobram extra se a sua carteira é G2 (a Wheels4Rent cobra $5 a mais por dia)
- Ver se pode sair da província com o carro - algumas impõe essas limitações
- Checar se, ao sair da província, sua kilometragem muda (a Enterprise dá KMs ilimitados dentro da província ou 200Kms por dia se você cruzar pra outra - no caso de precisar de mais KMs, eles cobram $10 a mais por dia para dobrar essa kilometragem)
- Checar se é cobrado por motorista adicional.  A Enterprise não cobra se for cônjuge, a Alamo cobra $11 por dia, a Budget me cobrou ano passado quando viemos acho que $25 (eu não tinha perguntado sobre isso antes e dancei) - isso pode alterar completamente o seu budget
- Fazer sempre a reserva pela internet antes, pra garantir o valor
- Ver a distância da sua casa até a locadora e perguntar se eles podem te buscar (a Enterprise já veio me buscar em casa 2 vezes e para uma loja que fica no subúrbio, eles têm um shuttle até o metrô)

Um outro modelo de aluguel cada vez mais comum por aqui é o chamado carro compartilhado ou aluguel por hora.  As duas empresas que operam aqui em Toronto são a AutoShare e a Zipcar.  Funciona basicamente assim: você precisa se cadastrar (eles checam se seus documentos estão OK), pagar uma taxa, escolher o plano, fazer as reservas e sair usando.  As principais vantagens desse sistema é que o seguro e combustível já estão incluídos no preço e eles possuem várias localidades, principalmente downtown (temos dois carros da AutoShare dentro da garagem do nosso prédio), além da facilidade pois está tudo pré-aprovado, não tem que fazer ficha toda hora etc - e na AutoShare, o tempo que você for membro conta como histórico de seguro, assim você tem desconto se um dia precisar fazer seu próprio seguro.  Quando saiu nossa carteira G nós íamos fazer o plano do AutoShare, mas acabamos desistindo pois achamos que os "contras" não compensavam se comparados a uma locadora de carros comum - eles são principalmente o valor por hora (que é alto, se comparado ao valor por dia das locadoras comums) e o fato de que, se você atrasar pra devolver o carro, as multas são altíssimas ($20 dólares se for até 30 minutos, + $25 se você não avisar a empresa que vai atrasar, de 31 minutos a 1 hora, sobre pra $40) - achamos isso muito complicado pois Toronto é uma cidade com trânsito pesado sim, principalmente na hora do rush nas highways e se estiver nevando por exemplo.  Aí fizemos as contas e percebemos que para estarmos "safe", teríamos sempre que alugar o carro por um período bem maior que o planejado e aí já valeria à pena ir numa locadora normal alugar por 24hs e pronto.  A, outro ponto negativo (que seria a principal vantagem do sistema, mas não é), é que você é obrigado a devolver o carro onde pegou, não dá pra pegar um no prédio, devolver em outro ponto, fazer sua reunião, e pegar outro pra ir pra casa - os carros precisam ser devolvidos onde foram retirados e justamente aí você é obrigado a reservar por mais tempo.  Vejo muita gente usando o sistema aqui (tanto AutoShare quanto Zipcar) e a conta que o pessoal faz é comparando aos custos de manter um carro, não a minha conta comparando com o aluguel de uma locadora comum.

Pra quem se interessar, abaixo uma tabelinha com vários valores direto do site da AutoShare.  Ah, e a AutoShare exige que sua carteira seja G full (ou seja, se você conseguiu apenas a G2 não consegue ser membro - parece que a Zipcar aceita).


Cada caso é um caso, vai de cada um avaliar o que vale mais à pena.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

E aí, valeu à pena pagar excesso de bagagem pra trazer toda a bugiganga de vocês?

Nas últimas semanas vi uns dois ou três posts em blogs de pessoas que ainda não vieram se perguntando se vale à pena pagar transportadora, excesso de bagagem, trazer tudo, não trazer nada etc.  Pra quem acompanha o blog há mais tempo, deve se lembrar que nós viemos com 9 caixas além das 4 malas normais (dêem uma olhada aqui).

A resposta é: valeu sim à pena!  Nós viemos de United e a empresa cobra apenas US$100 de excesso de bagagem por cada volume de 32Kg.  A idéia inicial era trazer apenas 1 caixa a mais cada um, mas conforme eu e minha mãe fomos arrumando as coisas fomos vendo que simplesmente não teríamos onde deixar tudo.  Quem me convenceu a fazer isso foi meu marido, com o seguinte raciocíno - se deixássemos as caixas no Brasil para cada um que fosse visitar trazer, teríamos que pagar um táxi extra pra pessoa ir pro aeroporto pq não caberia a caixa + malas + pessoas num táxi só (só aí no mínimo R$80).  E quando a gente fosse bucar essas pessoas no aeroporto de Toronto, não iria caber todo mundo no carro e teríamos que pagar mais CAD 45 pra um táxi extra - só aí já pagou as 100 doletas de trazermos as coisas com a gente.

E tem também um outro lado: ter as suas coisas com você faz com que a sua  nova casa tenha mais jeito de "casa", pois tem objetos de valor sentimental.  Além disso, se você deixar por exemplo um balde de gelo na sua caixa pra um dia alguém trazer, antes de um parente vir visitar você vai precisar de um balde de gelo e vai acabar comprando um aqui e ficando com dois no total (é só um exemplo, eu vendi meu balde de gelo e ainda não comprei outro - apesar de já ter precisado de um).  Nossos cumpadres quando vieram pra cá não sabiam quanto tempo iam ficar e deixaram tudo num storage - no final, acabaram comprando tudo novo aqui e depois de morrer com um dinheirão de storage no Brasil acabaram dando/doando pra um amigo que vai pagar um dia (e estão super felizes de não terem mais que pagar o raio do storage).

As coisas que acho que mais valeram à pena trazer:
- Faqueiro Tramontina: tínhamos 2 faqueiros, um mais chique e um do dia-a-dia bárbaro da Tramontina.  O chique ficou no Brasil para vir um dia e o do dia-a-dia trouxemos.  Joguei fora a caixa de madeira e coloquei tudo numa caixinha minúscula de papelão - total 6kg por um faqueiro que custou quase 2 mil reais.  Claro que aqui há opções de talheres baratos, inclusive na própria Ikea, mas se você tiver um faqueiro bom traga, pois jamais vai conseguir vender por um valor bom no Brasil e por apenas 6Kg de excesso vale mais do que à pena.
- Jogo de travessas: de novo, presente de casamento que foi caríssimo.  Ainda não usei (nem usava muito no Brasil) mas jamais compraria outro aqui da mesma qualidade.
- Jogo de fondue: idem acima.  E ainda foi presente do meu irmão.
Tudo o que aparece na foto veio do Brasil
(menos a comida e as tulipas, claro!)
- Enfeites diversos: aí entram lembranças de viagem de todos os tipos (já viajamos muuuito), vaso de cristal, centro de mesa de vidro, centro de mesa de madeira... já está tudo "adornando" a nova casa, o vaso de cristal inclusive com flores frescas dentro pra dar "vida" pra casa no inverno.
- Enfeites de Natal: trouxe apenas os que tinham algum valor emocional e valeu muito à pena.  Nossa árvore está uma graça!
- Jogo de facas Tramontina, pazinhas de patê e coisinhas pequenas de cozinha: ocupam pouco espaço e se você não trouxer terá que comprar logo.  Jogo de facas tem de todos os preços, mas foi uma despesa a menos que tive ao chegar aqui e minhas facas vão durar a vida toda.  Se eu tivesse comprado um jogo minimamente decente aqui, teria sido no mínimo uns 50 dólares - como o jogo é pequeno, coube ele, a base de madeira e mais zilhões de coisas na caixa de 32Kg.
- Roupa de cama: nossa cama no Brasil era Queen com colchão bem alto (como as daqui).  Tinha comprado há relativamente pouco tempo 2 jogos de lençol que trouxemos.  Dá pra comprar aqui por uns $40 (muuuuito menos que paguei no Brasil), mas economizei $80 na chegada.  Trouxe também uma manta térmica que comprei há tempos, enfiei na Space Bag e pronto, não precisei comprar manta na chegada (depois precisamos de um edredon com a chegada do inverno).
- Roteador de internet: pesquisei em alguns fóruns pra ver se valia à pena.  Ele é pequenininho e item de 1a necessidade.  Nosso provedor é a Rogers, eles até têm modem com roteador embutido mas é mais caro.  Foi só pegarmos o modem baratex e pronto - ah, lembrando que precisei trazer adaptador de tomada, pois o plug é brasileiro (trouxe um filtro de linha com plug brasileiro e todos os adaptadores de tomada que encontrei na minha casa!).

Algumas coisas acabaram vindo que nem precisariam ter vindo num primeiro momento como livros, álbuns de fotos etc.  Mas aí valeu o raciocíno de que não valeria à pena deixar no BR pra depois gastar $ pra alguém trazer pra gente.

No total, deixamos umas 4 caixas de 32Kg mais alguns itens de decoração como a girafa que meu marido trouxe da África (só ela já é um volume de bagagem), o mapa-mundi etc.  Ainda não tivemos ninguém pra trazer as coisas (ainda bem, pois o apê é pequeno) mas ano que vem provavelmente meus pais vêm visitar e nós provavelmente passaremos Natal no Brasil, só aí já dá pra trazer bastante coisa.

Ah, vale lembrar que com o extremo cuidado que os carregadores de bagagem e os inspetores americanos lidaram com as caixas algumas coisas não sobreviveram a viagem (uma vaquinha de cerâmica linda, um vaso que meu marido fez na aula de cerâmica dele e mais algumas outras coisas).  Juro, na escala em Washington o inspetor de bagagem estava com a caixa na altura do peito e, como ela não entrava no raio-X, o cidadão simplesmente abriu os braços  e deixou a dita-cuja cair no chão de mais de um metro de altura - e eu vendo tudo isso, pois estava na salinha por causa da Joy.  Recomendação para itens muito frágeis: embale ao máximo, coloque em caixa de madeira (o vaso e o pote de vidro da foto por exemplo vieram dentro de caixas de madeira dentro das caixas de papelão, devidamente escorados por tudo que é tipo de acolchoamento).  Uma das caixas que sobraram tem um vaso de vidro lindo em tons de laranja que ficaria ótimo na minha sala agora - meu tio até estava no Brasil esse mês mas nem pedi pra ele trazer a caixa pois ele faria escala nos States - nesse caso, prefiro que alguém venha de Air Canada para pelo menos minimizar o risco do vaso chegar aqui em pedacinhos...  Independente disso, os americanos abriram praticamente todas as caixas (quando abrimos tinha o bilhetinho em quase todas), mas com extremo cuidado que praticamente não percebemos, só fomos saber mesmo na hora de ver o bilhetinho.  Uma das caixas inclusive chegou aberta no aeroporto de  Toronto (acabou arrebentando a fita adesiva que puseram) e a única coisa que dei falta foi um grampeador!

Só como informação, eu cheguei a cotar com 2 empresas de mudança trazer todas as caixas, girafa etc pra cá como carga e a reação foi  "é só isso que você tem?  Vale à pena pagar excesso de bagagem e pronto".  O custo para trazer como carga acaba sendo muito maior pois é preciso pagar várias taxas, despacho aduaneiro etc - só vale à pena mesmo pra quem vem com muita coisa.  Não preciso nem falar de novo que itens de casa como cama, sofá, móveis, eletroportáteis etc não vale à pena trazer - consegui comprar tudo novo por menos do que vendi meus itens usados no Brasil.

sábado, 4 de dezembro de 2010

1a experiência com o sistema de saúde canadense e remédios para sua farmacinha

Já faz mais de um mês, mas como é assunto de preocupação de 99.9% dos brasileiros candidatos a imigração, acho que vale à pena o post, mesmo que atrasado.  Vou ter que entrar em alguns detalhes do problema que tive, senão o post não vai fazer sentido - sorry pra quem não for tão fã de assuntos médicos.

Na última semana de outubro mais ou menos na 2a ou 3a feira comecei a sentir um ardorzinho ao urinar - que eu já conheço como a famosa infecção urinária, aqui conhecida como UTI (urinary tract infection).  Eu ao longo da vida já tive várias dessas (uma a cada 2 anos talvez) enão já sei como funciona, até por ser filha de médico.  Fiz uma consulta com papi por Skype que me recomendou tomar um antiinflamatório e aguardar (às vezes é alarme falso, já aconteceu comigo) - fora que UTI's precisam ser tratadas com antibióticos e não  é bom ficar tomando antibiótico à toa.

Passou 2a, 3a, 4a, 5a, 6a... e o incômodo aos poucos piorando, mas nada do outro mundo.  Na farmácia perguntei se não tinha Pyridium (pra quem não conhece, o único analgésico que age "lá" para alivar a dor ao urinar e o senhor falou que há alguns anos o produto tinha sido tirado do mercado - nem com receita, nem sem receita) - aff!!!!  Nós estamos aqui com visto de estudante então não temos direito ao OHIP propriamente dito, mas pagamos pelo "UHIP" (para estudantes estrangeiros), que tem cobertura igual ao do OHIP mas é pago e funciona como o convênio do Brasil - alguns (apenas alguns) hospitais são credenciados, outros hospitais, walk-in clinics, médicos de família etc tem que pagar e depois pedir reembolso - ou seja, motivo pra eu adiar ao máximo ir ao médico/hospital.  Quando chegou no sábado já estava me contorcendo de dor e na "consulta via Skype" meu pai falou pra eu ir de vez no hospital porque não tinha mais jeito, tinha que fazer o exame pra saber se era mesmo infecção e pegar a receita do antibiótico.  Aos sábados a maioria das walk-in clinics estão fechadas de qualquer maneira, então o único jeito numa emergência é ir pro hospital.

Esse dia foi dia da festinha de Halloween aqui no prédio, que eu não queria perder.  Antes falei com a minha tia que já mora aqui faz tempo e me falou de alguns hospitais e na festinha falei com a Rafaela do blog Projeto Racoon que mora aqui no prédio (morava, estão de mudança hoje pra Vancouver!) e ela me falou do St. Michael's Hospital que fica aqui em downtown mas que era cheio pois todo mundo que trabalha em downtown vai nesse hospital.  Como era sábado tarde da noite (e downtown está vazio nessa hora) e eu também não ia ficar que nem doida atrás de hospital, pegamos um táxi e fomos pra lá mesmo (uns 10 minutos daqui, nem isso).  Fomos munidos de livro, garrafa d'água, meu marido levou o computador pra fazer trabalho da faculdade, iPhone carregado etc, tudo para a espera que não sabíamos de quanto tempo ia ser.

Chegando lá já me sentaram direto na cabine da triagem com uma enfermeira que na hora coloca aquele aparelhinho no seu dedo que mede alguns sinais vitais.  Ela perguntou o que eu tinha etc etc, tentei exagerar um pouco pra ficar mais dramático e fazer cara de dor (não custa tentar, né?), nisso ela pediu pra eu aguardar.  1 minuto depois o rapaz da outra janelinha me chamou e pediu meu cartão de saúde - pra nossa sorte, o UHIP era aceito pelo hospital e não precisei por a mão no bolso o que foi ótimo, um problema a menos.  Pegou meus dados todos etc e  me deu uma pulseirinha e pediu pra eu aguardar.  Eu vi o tamanho da sala de espera e a quantidade de gente que tinha lá e não me pareceu muita gente não - de vez em quando entrava um estrupiado ou um velhinho de maca sendo trazido pelas ambulâncias que entravam direto - obviamente em um ER, caso grave passa na frente.  Tinha até uma senhorinha chinesa que precisava do filho pra traduzir, pois ela não falava inglês.  Todos os paramédicos super pacientes, com toda a atenção e eles precisavam ficar lá até os pacientes entrarem para tratamento efetivamente.

Esperei uma meia hora (ou até menos) e a enfermeira me chamou.  Falei de novo o que eu tinha e ela já me deu o copinho pro exame e falou um "you know the drill".  Fui ao toilette pra pegar a amostra e fiquei um pouco mal impressionada com o cheiro de urina do banheiro - sabe-se lá quando havia sido a última vez que alguém tinha passado um paninho por lá.   Enfim, o copinho não era tão "chique" como os copinhos do Delboni Auriemo em SP, mas dava pro gasto.  Entreguei minha amostra para a enfermeira e ela pediu pra eu esperar na sala de exame - sim, tive uma sala de exame só pra mim o tempo todo, com maca, poltrona etc etc.

Uma meia-hora depois apareceu um estudante de medicina com o resultado do meu exame - que só pela cor da amostra eu já sabia que era infecção mesmo.  Ele fez um exame clínico, apertou aqui e ali, perguntou se estava sentindo alguma dor na região dos rins etc e ele falou o que eu esperava - você tem uma UTI e vou te passar um antibiótico.  Eu pensei - beleza, era isso que eu queria mesmo.  Meu pai já tinha mandado avisar que eu não podia tomar Bactrim, que é muito receitado nesses casos - avisei o med student e ele prontamente mudou o antibiótico, pois era esse mesmo que ele ia me passar.  Só para esclarecer, o med student apesar de ter me visto sozinho voltou o tempo todo pra falar com o médico de plantão, que foi quem assinou a minha receita.  Na boa, pro meu caso que era bem simples, concordo que não faria sentido gastar "recurso" de um médico "inteiro" quando o estagiário resolvia.  Perguntei pra ele se eles não iriam fazer a cultura da amostra (pra quem não está familiarizado, nesses casos normalmente depois de identificada a infecção, faz-se uma cultura pra ver exatamente qual bichinho responsável por ela.  Os médicos em geral receitam antibióticos de amplo espectro assim que identificada a infecção, mas a cultura é importante pois se o 1o antibiótico não der certo, uns 2 dias depois sabe-se exatamente o bichinho e qual o antibiótico "matador").  Resposta dele - nesse caso não!  Enfim, depois perguntei pra enfermeira: e seu eu não melhorar?  Ela falou: volta aqui daqui a 3 dias!  Perguntei do Pyridium, o coitado do med student nunca tinha nem ouvido falar do princípio ativo do remédio.  Recomendação da enfermeira - se tiver dor, toma um Advil! - uhun, estou tomando há 5 dias e não faz nem cosquinha na dor, pensei.  Falei pro rapaz da farmácia que tenho certeza que foi um homem que tirou o Pyridium do mercado, pois mulher tem muito mais UTI que homem e o tal homem nunca teve dor ao urinar na vida!  O cara deu risada!

Dia seguinte, nova consulta com papi pelo Skype.  O médico me receitou Cipro por 3 dias - aí meu pai entrou no site com a bula do Cipro e viu que o recomendado para infecções urinárias é de 10 a 14 dias, não 3.  Como Cipro fazia parte da farmacinha que eu trouxe do Brasil, tomei os 3 dias que o médico daqui me passou e mais 7 do meu próprio estoque.  Felizmente depois dos 3 dias o remédio deu conta do bicho, pois a dor finalmente passou, mas enquanto isso fiquei me contorcendo de dor como nunca.  Cheguei a pensar "quanto eu daria por um Pyridium agora?  Uns 100 dólares..." e quase pedi pros meus pais colocarem uma caixa num envelope da FedEx - mas aí fiz a contas e até o remédio chegar a dor já teria passado (e foi o que aconteceu) e não ia adiantar mais.

Nessa história toda, descobri que minha tia e minha prima já tinham tido a mesma UTI aqui no Canadá e passaram pelo mesmo que eu e quase morreram de dor.  Minha tia já tinha pesquisado e nos States existe uma empresa que vende sem receita um teste (como se fosse de gravidez) para você ver se tem ou não a infecção (suficiente pra saber se precisa ir ao médico ou não pra pegar a receita do antibiótico) - além de tudo, eles têm também OTC (sem receita) um analgésico específico que contém o princípio ativo do Pyridium!  Cruzei a fronteira semana passada mas infelizmente na farmácia da cidadezinha onde eu fiz intercâmbio não tinha nem um, nem outro - já achei na Amazon americana, vou comprar lá e mandar entregar nos States pra pegar quando for pra lá passar o Natal.

O aprendizado dessa 1a experiência com o sistema de saúde canadense no meu caso foi - tenha sua farmacinha pronta!  Não estou aqui querendo incentivar a auto-medicação, mas pra quem tem acesso a médico como no meu caso, às vezes uma boa consulta por Skype e o antiinflamatório/antibiótico certo resolve o problema sem horas de espera em hospital ou clínica.  E a outra tirada, essa do meu pai, foi: a Joy tem melhor tratamento médico do que vocês (e tem mesmo, o veterinário dela até mandou e-mail pra perguntar como ela estava essa semana, pois tive que levá-la para vacinas e vômitos que ela tinha tido).

No caso da minha farmacinha, o que veio:
- Cipro 500 mg - 2 rodadas de 14 dias.  Antibiótico de amplo espectro, bastante potente.
- Amoxicilina 500mg - 2 rodadas de 14 dias.  Também antibiótico, mas para casos mais leves.
- Feldene (piroxican) - antiinflamatório que eu estou acostumada a usar (e já usei aqui)
- Quadriderm - pomada dermatológica para 4 (quadri) problemas
- Trofodermim - creme cicatrizante e antibiótico de ação local (já precisei usar)
- Estoque de anticoncepcional e outros remédios que estávamos usando na época da viagem.

O que vai vir (minha prima está indo pro Brasil, já está encarregada de trazer)
- Amplo estoque de Cipro (pra repor o usado e ter de back up)
- Repor um pouco do Piroxicam
- Talvez um Bactroban -  pomada antibiótica, custa caríssimo, mas vale cada centavo
- Mais uns meses de anticoncepcional, só pela preguiça de procurar um médico de família enquanto estivermos no UHIP
- ESTOQUE DE PYRIDIUM!!!!  Nunca senti tanta dor numa UTI na minha vida e não pretendo sentir de novo!

Só lembrando, desde a semana passada a ANVISA passou uma regulamentação que antibiótico só pode ser vendido com retenção de receita (aquela em 2 vias, com receituário do médico mesmo).  Pra quem ainda não veio, vale à pena falar com um médico na família pra ver se é o caso de trazer (até por que, não pode ir se auto-medicando, precisa de orientação médica).  Remédios simples como Tylenol, Aspirina, Advil etc são todos encontrados facilmente sem receita aqui - inclusive Voltaren emulgel (que é o Cataflan emulgel, outro dia li num blog uma pessoa recomendando trazer - a empresa dona usa nomes diferentes para o mesmo medicamento em países diferentes, já fiz um projeto pra eles).  E trazer remédios que estejam acostumados a tomar, até que haja tempo de encontrar médico etc etc.

No geral não achei a experiência "traumática" como muitos tiveram, mas não tem como não ser diferente do tratamento que se tem com médicos e laboratórios particulares no Brasil.  Fui muito bem atendida por todos no hospital, só não entendi porque da "economia" na hora de prescrever o remédio, já que quem pagou por ele fui eu.  Acho que a revolta maior no meu caso foi não existir o analgésico para esse caso aqui no Canadá, o que me fez passar dias me contorcendo de dor, sem conseguir dormir, por uma coisa simples.  Vi um pessoal do Facebook também reclamando horrores, pessoas que têm dores crônicas, todas sem o remédio e tentando de todo jeito conseguir (comprando via Amazon e coisa do gênero).

sábado, 27 de novembro de 2010

1a neve da Joy!

Olá leitores,

Estou com vááários posts na cabeça, mas vou aproveitar esse que está fresquinho.  Hoje tivemos uma neve forte durante uma meia hora aqui tem Toronto (a 1a da temporada) e chegou a cobrir o chão.  Logo na sequência saiu um sol lindo e levamos a Joy pra conhecer a neve.  A princípio ela achou meio estranho escorregar na calçada, mas no geral acho que ela gostou!  Fotos abaixo:




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A carteira de motorista - Parte III

Hoje li um comentário em outro blog de uma pessoa dizendo cansada de posts sobre carteira de motorista, mas como o objetivo desse blog é ser informativo, vamos ao que interessa!

Como disse em outro post, marcamos as aulas de auto-escola com o Alexandre e posso dizer que, sem elas, teria sido impossível pra nós passar.  A estratégia dele para os imigrantes (que já têm muitos anos de carteira nas costas) é justamente ensinar as regras e truques que são particulares daqui e ensinar a passar na prova!

Assim que tiramos a G1, ligamos pra ele como número da carteira e ele mesmo marcou a prova e pagou com o cartão de crédito dele.  Ele marca em um test centre específico, lá em Etobicoke, e tivemos que esperar quase 1 mês pela prova prática.  Durante as aulas, ele fez o circuito que os examinadores fazem umas 20 vezes conosco, alertando para todas as "pegadinhas" do percurso (por examplo uma placa de Mississauga dizendo que a velocidade na cidade é 50km/h "unless otherwise stated" sendo que estávamos numa via de 70 km/h - aí a pessoa vê a placa, fica nervosa, vai a 50 e é reprovada por andar muito de devagar).  Ele faz a gente meio que memorizar a velocidade máxima permitida em cada uma das ruas do circuito, tomar cuidado para o carro não acelerar na descida, lembra que temos que fazer "shoulder check" o tempo INTEIRO, dá as dicas para entrar na highway na velocidade certa etc.  Ele inclusive nos orienta a colocar o espelho retrovisor um pouco pra cima, que nos força a virar o pescoço pra cima pra olhar e, dessa maneira, o examinador tem certeza que você olhou pro espelho.

Eu tive uma aula de 2 horas no domingo, uma de 2 horas na 4a e na 5a feira 11:15 era o meu teste.  Às 9:15 ele me pegou para a última aula, me mostrou como fazer o 3-point-turn, o parallel parking (o mais impressionante é que eu tive dificuldade nesse!  Eles mandam parar atrás de um carro, mas não com um carro atrás da gente - o que seria uma vaga.  Eu sem ter o carro de trás pra me orientar me embananava toda, já que a vida inteira só fiz baliza quando necessário, né?  Se não tem carro atrás a gente entra de frente e pronto, rs rs rs) e mais uma rodada geral pelo circuito.

Na hora do exame, veio um senhor de uns 70 anos, cabelo bem branquinho, ser o meu examinador.  Primeira pegadinha - havia um bando de adolescentes saindo da escola e atravessando fora da faixa, fiquei meio sem saber o que fazer, não podia passar por cima mas sabia que também não podia parar pra dar passagem.  Ele super fofo me orientou "we want to protect them, but we can't encourage jaywalking" - ou seja, não é pra fazer eye-contact nem parar totalmente para encorajar a atravessar fora da faixa, mas óbvio que não é pra passar por cima!  Fomos pra highway e fiquei toda feliz de ter conseguido entrar a 100km/h e ele me orientou que, quando não vem ninguém atrás, não precisamos necessariamente esperar chegar nos 100 (o Alexandre discordou disso, falou que ele é "old school" etc, mas entendi o ponto dele).  Quando estava quase acabando o teste ele me mandou virar numa rua que o Alexandre não tinha me levado!  Lá eu fiz o parallel parking (o Alexandre acha que nas ruas onde normalmente eles fazem o parallel parking não devia ter nenhum carro parado pra fazer o exercício, por isso ele me levou nessa outra rua, mais movimentada).  Depois a surpresa: ele me pediu pra fazer um U-turn!  Aqui é bizarro, quase todas as ruas são mão dupla e pode-se fazer em U-turn em praticamente todas elas.  Eu tinha feito com o Alexandre, mas não imaginei que fosse cair no teste - o Alexandre falou que foi justamente porque ele me levou pra essa rua diferente que precisei fazer.  Quando estávamos voltando pro test centre, ele falou pra virar à direita no próximo semáforo.  Estava vermelho e eu fiquei lá parada esperando ficar verde, nem me lembrei que aqui pode virar no vermelho!  Sorte que isso não conta ponto na prova, eu tentei disfarçar com um "alguns lugares como Montréal não se pode virar à direita no farol vermelho" e voltei conversando com o senhor até o local do teste.

Estacionei e ele começou a contar os pontos.  Fiz 8 erros e passei (o Alexandre falou que até uns 15 erros eles aceitam - óbvio que depende da gravidade do erro) - a maioria foi por andar muito devagar (por exemplo ao entrar na curva tem que entrar acelerando, muito estranho) e alguns por não ter olhado 200 vezes pros lados.  Agradeci o senhor pelas dicas que ele me deu também e ele falou que ele foi paramédico por 20 anos e viu muitos jovens sofrendo acidentes de carro.

Foi um alívio ter passado na prova (até porque eu precisei fazer o teste 4 vezes quando tinha 18 anos pra tirar carteira no Brasil) - ter a carteira G diminui o valor do seguro e permite fazer aluguel de carro por hora (vou contar em outro post).  Fora que se eu não tivesse passado teria que pagar de novo o road test (meu leitor Pedro me avisou que é $40 no caso, por ser o teste G2) além de mais aulas.

No final, pagamos 270 dólares cada um para o Alexandre pelas aulas e valeu muito à pena.  Vi em outro blog uma pessoa que fez o teste no mesmo dia que eu e foi reprovada mesmo tendo feito aula em auto-escola, mas pelo relato dela me parece que ela foi mal orientada, pois nem sabia direitinho o tal "shoulder check".  O Alexandre disse que isso acontece aqui, os caras não dão todas as dicas nas aulas pra forçar a pessoa a ter que fazer mais aulas depois.  Por isso, auto-escola, só com recomendação!

Pra quem estiver em Toronto o contato do Alexandre é 416-841-0666 - nussdrivingschool@hotmail.com

Agora só falta comprar o carro!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Custo de "set up" e as taxinhas do Canadá

Muita gente se pergunta "quanto dinheiro devo levar pro Canadá", faz contas de custo de aluguel, transporte, compra de móveis etc etc.  Mas uma coisa que sentimos no bolso foram as lindas "taxinhas" e como o custo de "set up" de uma família pode passar do orçamento rapidamente.  Meu tio que fala: "aqui no Canadá sempre tem que pagar uma taxinha...".  Vou listar aqui as principais taxinhas que tivemos que pagar para ajudar os que ainda não vieram a se programar:

- Taxa de entrada de animais - $36: pra quem vai trazer seu melhor amigo de 4 patas, a primeira "taxinha" canadense é cobrada já no aeroporto, teoricamente para vistoria do animal (o oficial nem olhou pra Joy pra ver se era cachorro ou gato).

- Toronto Animal Licensing - $25 por ano se o animal for esterelizado (se não for é $60).  Ainda tive que levar no veterinário daqui com o ultrassom que fiz na Joy antes de sair do Brasil (R$90) para poder dar como referência na hora do cadastro ($85 a consulta - e o veterinário falou que eles jamais ligaram para conferir se o animal foi castrado ou não...).

- Depósito de segurança das chaves do apartamento - $200:  Sim, você leu certo, $200!  Além de pagar o último mês de aluguel (que é praxe nos contratos aqui) tivemos que dar essa caução de $200 para garantir a devolução das chaves - só veremos a cor do dinheiro de volta quando entregarmos o apê.  Parece que nossas chaves são especiais e caríssimas, mais o magnético pra abrir a porta da frente, elevador... enfim, uma facada e não tem pra onde correr.

- Set up da conta de luz - $30:  Nosso prédio tem medidor de energia individual (coisa rara, mas o prédio é novo) e fomos obrigados a ter uma conta na Carma, que é a empresa que cuida do "billing" da conta de luz para a  empresa de energia.  E ainda descobri que eles cobram um security deposit de 2.5 vezes o valor médio da conta pra quem não tem histórico de "bom pagador de conta de luz" - esse ainda não veio...

- Depósito de segurança da Rogers para celular - $100 por pessoa: de novo, como não temos histórico na Rogers e fizemos planos pós-pagos, a linda empresa nos cobra $100 por celular de segurança.  O valor é pago à vista e o $$ volta em 6 meses (pelo menos volta, mas é custo).  Não sei se cobram de todo mundo, mas no nosso caso já tínhamos feito o plano de TV a cabo e internet, além das duas linhas pós-pagas, e sem histórico, não teve jeito - a vantagem de fazer tudo com a Rogers é que eles dão desconto pelo "bundle" de vários serviços, portando valeu à pena.

- Activation fee do celular - $35 por pessoa: algumas empresas isentam essa taxa, mas é cobrada pela província e pode variar.  Às vezes dá pra conseguir uma promoção que não cobre (normalmente os pré-pagos não cobram), mas como fizemos o plano do iPhone, dá-lhe taxa!

- Carteira de motorista - esta é uma facada - total por pessoa: $468.75 (ui!):  $18.75 da taxa do consulado, $20 da tradução juramentada, $85 pela prova escrita + licença por 5 anos, $75 para o road test, $270 de auto-escola (esse é opcional, mas altamente recomendado).  Fora os $6 da money order caso o seu banco cobre (o nosso não cobrou).

Vejam que nessa brincadeira uns $1,500 voaram no nosso caso...  Os $200 da Rogers e $200 das chaves do apê voltam, mas é dinheiro que sai e demora pra voltar.

Pra quem quer economizar ao máximo no início, sugiro trazer os celulares desbloqueados do Brasil (façam isso com antecedência - deixamos pra última semana e a TIM pede sei lá quantos dias úteis pra desbloquear e acabou não dando tempo.  Sem deixar de verificar antes se o seu celular funciona aqui - aquela história de tri-band, quadri-band etc) - ou pagar $25 em Chinatown pra desbloquearem - e ativarem uma conta pré-paga no início.  Recomendo a Fido - comprei o chip pelo Ebay.ca por $25 com $25 de crédito, mas o custo também é alto - 20 a 30 centavos por minuto para ligações feitas ou recebidas.

Quanto à carteira de motorista, ela não é essencial, essencial se a pessoa morar perto de transporte público.  Mas recomendo tê-la o quanto antes - várias empresas perguntam se você tem carteira de motorista (mesmo para empregos que, a princípio, não tem nada a ver com nada - foi recomendação de headhunter), fora que se você precisar (ou quiser) alugar um carro e estiver com a carteira do Brasil "vencida" aqui, eles até te alugam o carro (já soube de gente que conseguiu), mas se você sofrer um acidente pode dar confusão pro seguro pagar.  O tempo para obtenção da carteira de motorista é razoavelmente longo (1 mês e meio em média) e ano passado eles ficaram uns 6 meses em greve - então melhor resolver o assunto de uma vez (e também evitar fazer o road test com gelo e neve, por exemplo).  Se a pessoa quiser ter apenas o ID (que é o mais usado aqui, como bem lembrou a Marden nos comentários), dá pra fazer só a prova escrita que já recebe a driver's license de aprendiz (que serve como ID do mesmo jeito) e dá pra deixar a parte mais cara pra fazer um pouco depois.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A carteira de motorista - Parte II

Olá leitores,

Long overdue... a continuação da saga da carteira de motorista. Para quem não leu, segue o link da Parte I.

Enfim, chegamos lá no Service Ontario um dia cedinho (umas 8:30) já orientados pelo funcionário quando fui da outra vez - no dia que eu fui tentar fazer a prova pela 1a vez sem a tradução cheguei lá meio-dia e pouco e a espera era de 3 horas.  Mostramos a documentação completa na recepção (leia a Parte I se você for tirar sua carteira em Toronto) e aguardamos um pouco para fazer o exame de vista e a prova escrita (uns 20 minutos, talvez).

Chegando no guichê, faz-se o exame de vista (100% de aproveitamento, uhu!) e entrega-se os documentos e paga-se a taxa de $85 ($10 pela prova escrita e $75 pelo direito de dirigir por 5 anos).  A mesma pessoa já tira a sua foto e coloca os seus dados no sistema que depois vão para sua carteira de motorista.  Aqui só uma observação: a pessoa coloca o seu nome EXATAMENTE como está no papel que você recebe ao entrar no Canadá (no nosso caso, o work permit e study permit) e não como está no visto (no meu caso, estava meu nome completo direitinho).  Problema: esse papel não tem espaço suficiente para todos os nomes (caso o seu seja minimamente comprido).  Acabei pedindo pra ela abreviar um dos sobrenomes e mantive último sobrenome, primeiro nome (que no meu caso é duplo) e inicial do 1o sobrenome.  O meu SIN card só tem o meu último sobrenome... já estou com várias identidades.

Depois entra-se na sala para fazer a prova escrita.  No nosso caso não teve computador não, foi papel e lápis mesmo.  Conforme bem lembrou a Marden no comentário do outro post, você pode pedir pra fazer a prova em português (ou francês, ou um montão de outras línguas).  Eu pedi pra fazer em inglês mesmo pois tinha estudado em inglês e achei mais prático "manter o padrão".  A prova não é tão fácilzinha não... e pior, como vamos fazer direto a prova prática da carteira G eu meio que passei batido no manual em tudo que dizia respeito as carteiras G1 e G2 - só que isso caiu na prova!  Coisas tipo: quantos pontos você perde se estiver dirigindo a carteira G1 e fizer infração X?  Foi um sufoco, fiquei super feliz quando a moça falou que eu tinha passado (já não tinha certeza de mais nada) - eles corrigem na hora mesmo e você sai de lá com um papelzinho dizendo que passou na prova.  Depois entrega-se o papelzinho em um guichê e na sequência você sai de lá com sua carteira G1 provisória (só um papel que precisa ser usado com um photo ID).

Uns 10 dias depois chegou a G1 pelo correio.  Até que saímos bem nas fotos.  A partir daí, já se tem um ID canadense e pode-se deixar o passaporte guardado direitinho na gaveta!

O próximo passo é marcar o road test, ou teste prático, que custa outros $75.  Aprendendo com os erros dos outros, já tínhamos a dica dos nossos cumpadres que, sem fazer aula de direção, praticamente impossível passar na prova.  Pior - se você pula para a prova G e é reprovado no road test, além de ter que pagar pra fazer de novo é obrigado a cair para a G2 (não é o fim do mundo, mas quem tem G2 normalmente tem seguro do carro mais caro e não pode fazer aluguel de carro por hora na AutoShare).  Seguindo indicação deles ligamos para o Alexandre, que é professor de auto-escola e não se lembra a última vez que um aluno dele reprovou (ótimo sinal).

O Alexandre é brasileiro e está aqui há uns 20 anos.  Ele sabe tudo de direção em Ontário, dá até aula para formar examinador - um especialista no assunto.  Ele mesmo marca a prova prática, pois ele marca num test centre específico.  Minha cumadre falou: faça tudo que ele mandar que você passa na prova.  Tivemos que esperar mais ou menos 1 mês pela prova prática - meu marido fez na semana passada e passou!  Uhu!

Essa semana é a minha vez.  Fiz a 1a aula com o Alexandre no domingo e o negócio é tenso "shoulder check, shoulder check", acelerar pra entrar a 100 km/h na highway quando a alça de acesso é minúscula (o carro gritando de tanto que eu acelerava)... ufa!  Cheguei em casa exausta!  Amanhã tenho mais uma aula e 5a é a prova e ainda terei uma aula antes da prova.  Wish me luck!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Comprando móveis e objetos pelo Craigslist - vale à pena!

Já fiz um post sobre a Ikea, destino certo de 99.9% dos recém chegados, agora chegou a vez do Craigslist!

Diferente do Mercado Livre, o Craigslist é grátis pro anunciante e eles incentivam que as transações sejam fechadas pessoalmente - com isso, você pode ver o produto antes de comprar, não precisa se preocupar com frete etc.  Eu vendi (e continuo vendendo!) muita coisa pelo Mercado Livre e é muuuuito chato, o povo não paga, tem que por no correio, tem que pagar comissão.  No Craigs é tudo mais fácil.

Depois que compramos o básico, começamos a fuçar o Craigslist em busca de outros acessórios para a casa - assim como tem gente chegando, está cheio de gente indo embora de Toronto e fazendo seus bazares via Craigs.

Tudo começou com o aspirador de pó: eu queria comprar o famoso Roomba, que aspira sozinho, mas o marido vetou porque ele é bem carinho.  Aí pensei: já que não vou comprar o Roomba agora, também não vou gastar muito dinheiro num aspirador novo, vou comprar um usado e pronto.  Acabei comprando um Shark 2-in-1 que, tirando os acessórios, vira um aspiradorzinho de mão.  Como eu já queria um aspiradorzinho de mão mesmo, quando eu tiver um aspirador "oficial" ele vai continuar tendo seu papel aqui em casa.



Aspirador Shark 2-in1
- Preço na Canadian Tire: $39.99 + 13% de tax = $45
- Preço no Craigslist: $5
- Economia: $40

Depois disso peguei gosto pela coisa e comprei também uma torradeira vermelhinha por outros 5 dólares, um varal de piso por outros 5 dólares - tudo aqui perto de casa, também não vale à pena ir até o fim do mundo pra buscar coisinha pequena.

Começamos então a pesquisar móveis da Ikea no Craigslist.  Minha idéia era conseguir o ottoman (móvel pra apoiar o pé) que faz jogo com o meu sofá e depois ir na Ikea e só comprar a capa nova - infelizmente ainda não consegui, pois nosso modelo de sofá é novo e não tem muita gente vendendo o dito cujo.  Aí partímos para as cômodas e mesinhas de cabeceira - estávamos só com a cama no quarto, sem mesinha, coisinhas pequenas no chão (e ao alcance canino), ainda faltando gaveta pra guardar nossas coisas, pois o nosso closet é minúsculo.  Eu não tinha simpatizado muito com as cômodas/mesinhas da Ikea, eram meio caras e nada de mais.  Mas como também não achei nada que gostasse em outros lugares, comecei a fuçar diariamente o Craigs até eu achar exatamente o que queria: uma cômoda de 3 gavetas + 1 mesinha de cabeceira.  A pessoa estava vendendo o conjunto na cor branca - não era minha primeira opção, mas até que estou gostando - e dava pra ir buscar de metrô.  Lá fomos nós, eu, marido e o dolly, buscar nossas aquisições.  Foi um baita sofrimento, pois a estação de metrô onde eles moravam não tinha elevador nem escada rolante pra descer, mas umas boas almas nos ajudaram.  Chegando aqui em casa os 4 quarteirões do metrô até o prédio pareciam 40 (e ainda estava chovendo), mas chegamos.  Acabamos até "machucando" um pouco a cômoda no atrito com o dolly (tinha levado um cobertorzinho pra proteger mas na correria acabamos não colocando).


Conjunto cômoda + mesa de cabeceira:
- Preço na Ikea: $99.99 + $69.99 = $169.98 + 13% de tax = $192 (+ ter que ir na Ikea e passar 3 horas montando)
- Preço no Craigslist: $65 o conjunto
- Economia: $127





Hoje foi dia de mais uma aquisição - mas dessa vez aprendemos que tem que ser muito perto de casa pra valer à pena (ou arranjar um amigo que tenha carro pra buscar!).  Um americano que está sendo transferido de volta pros States vendendo tudo novinho aqui na esquina de casa.  Acabei comprando dele uma mesinha pra por TV (ainda não temos TV chique, mas pelo menos já temos o móvel pra colocá-la em cima!) e um ferro de passar à vapor (99% das nossas roupas não precisam passar, mas para aquele 1% que precisa, hay que tener um ferro de passar).

Mesa para TV:
- Preço na Ikea: $49.99 + 13% de tax = $56 (+ ter que ir até a Ikea buscar e ainda ter que montar)
- Preço no Craigs: $30 e o moço ainda me ajudou a trazer até em casa!  Até tentei vender o kennel da Joy pro gato dele, pena que o gato é bem menor que a Joy, se não teria feito negócio, rs rs rs.
- Economia: $26







Ferro de passar:
- Preço similar na Canadian Tire: $69.99 + 13% de tax = $79
- Preço Craigs: $15 e ainda ganhei de brinde uma tábua novinha!
- Economia: $64 + no mínimo $10 da tábua de passar


Agora tudo que a gente decide comprar primeiro olhamos no Craigs pra ver se não encontramos uma barbada dessas!  E o outro lado bom da coisa é que, se a gente enjoar dos móveis, podemos vender de novo no Craigslist pelo preço que pagamos e pronto, sem remorso.  Minha mãe que é assim, não gosta de comprar móvel muito caro assim não fica com dó de se desfazer dele quando quer mudar a decoração!

Já que fizemos o nosso bazar antes de sair no Brasil, agora é hora de aproveitar o bazar do pessoal aqui pra mobiliar nossa casa!

O dolly! Item de 1a necessidade!

Oi pessoal,

Jojo pede para agradecer os comentários do post dela!  Principalmente aos também caninos Sparky e Lapin-Pi!  Pena que a Lapin-Pi mora longe porque ela parece ser bem legal, já o Sparky talvez dê pra marcar um encontro canino :-)

Conforme prometido, segue o post sobre o dolly.  Ele já estava nos meus "rascunhos" aqui há tempos, resolvi tomar vergonha na cara e postar logo!

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Uma das aquisições mais importantes que fizemos aqui no Canadá foi o dolly, esse bichinho aí da foto!



No dia que chegamos, meu tio tinha alugado um por $13 na empresa onde ele alugou a van pra pegar a gente.  Com a quantidade de caixas que tínhamos pra fazer a mudança, mais tudo que é preciso carregar nesse lugar (Ikea, compras em geral etc) principalmente pra quem não tem carro, fizemos o investimento e compramos o melhor dolly da Canadian Tire.  Tínhamos visto gente na saindo da BestBuy com uma TV de zilhões de polegadas pela rua com um dolly desses - aqui ninguém entrega nada, é cada um por si.  Depois de comprarmos percebemos o quanto é comum as pessoas terem dolly, muitas mesmo tendo carro já deixam no porta-malas porque é sempre preciso carregar alguma coisa pesada uma hora ou outra

Já fui parada na rua várias vezes por causa dele, gente perguntando onde eu tinha comprado, se eu estava vendendo, pois além de ser levinho de alumínio, ele ainda dobra as rodinhas e fica fácil de guardar.  Ele é bárbaro!  Foi item de 1a necessidade na nossa mudança, quando fomos na Ikea, na Dollarama, no HomeDepot... quando não se tem carro, se tem dolly!

Há umas duas semanas o dolly estava em promoção na Canadian Tire por 1/3 do preço que pagamos.  Abstraí para não ficar deprimida.

Como pagamos bem carinho nele, resolvemos aproveitar para usá-lo pra ir no supermercado também.  Aqui o pessoal usa uns carrinhos tipo os de feira no Brasil, mas são trambolhentos, não dobram direitinho na hora de guardar e custam uns 20 dólares (quem puder trazer um carrinho de feira do Brasil, fica a dica, rs rs rs).  Resolvemos comprar aquelas caixas plásticas dobráveis pra colocar em cima do dolly, assim aproveitamos e quando tivermos carro vai tudo pro porta-malas!

Segue foto do dolly com as compras:

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Post da Joy - relato de uma cachorrinha no Canadá

Oi pessoal, aqui é a Joy (Jojo para os íntimos - pronuncia-se "djó-djó").  Gostaria de dividir com vocês um pouco minha experiência aqui no Canadá, do ponto de vista canino.

Antes de viajar foi tudo normal, me deram uma casinha nova chamada de kennel pra eu dormir.  Eu bem que gostei da casinha, até o dia em que me levaram nela pra um lugar chamado aeroporto, me puseram num carrinho  e me levaram pra lá e pra cá.  Eu fiquei bem quietinha, mas não gostei muito não.  Quando ouvi a voz do meu dono num lugar chamado Estados Unidos comecei a uivar, mas a minha alegria durou pouco - depois de meia hora com meus donos no banheiro mais chique que já fui (quer dizer, único banheiro canino em que já estive, propriamente dito), tive que voltar pra casinha e me puseram de novo no tal avião.  Dessa vez até que foi rápido e fiquei suuuuper contente de sair do tal kennel no aeroporto de Toronto enquanto a gente esperava os tios dos meus donos virem buscar a gente - eu nunca mais entrei no tal do kennel e a minha dona vai colocá-lo no Craigslist (ufa!).

Passei duas semanas na casa dos tios dos meus donos (que são bem cachorreiros) me aclimatando ao local.  Descobri que aqui tem um bichinho chamado esquilo em todo local e estou doida pra pegar um (meu lado caçador falando!).  Todo mundo me levou passear, de vez em quando eu "pedia pra sair" - é que na minha casa em São Paulo eu tinha meu banheirinho para emergências na varanda, mas como aqui eu era visita, achei chato usar a varanda dos tios, né?  Eu bem que gostei de lá, pois o colchão dos meus donos era no chão e eu ficava bem pertinho deles.  Mas 2 semanas depois já me mudaram pra outro apartamento, dessa vez sem nenhum móvel - ainda bem que a minha caminha veio do Brasil dentro do kennel!

Vida de cachorro em downtown Toronto não é mole não.  Ok, está cheio de parques pra passear, mas é cheio de gente na rua, ônibus passando, cadeira de rodas, bicicleta e umas grades na calçada pra sair o vapor do metrô que machuca minha pata, cada vez que vejo uma dou um pulinho :-).  Mas como aqui em Toronto cachorro é um ser humano como outro qualquer, eu posso entrar em tudo quanto é lugar (menos restaurante, supermercado e umas lojas muito chatas).  Já fui no Eaton Centre, na BestBuy, na loja de vinho... e também já experimentei o transporte público local - já andei de ônibus, metrô e streetcar.  O que eu menos gosto é do barulho do metrô quando está chegando na estação, mas lá dentro eu entro embaixo do banco e está tudo bem.

Olha eu no Streetcar!

Eu agora já sou canadense!  Já tenho coleirinha da cidade de Toronto, cadastro e tudo.  Mas pra isso minha dona precisou me levar no veterinário, porque alguém tinha que dizer que eu sou castrada (pra minha dona economizar 35 dólares por ano no meu registro).  Tive que ir também porque meu anti-pulga aqui não vende em qualquer lugar, é só "prescription", então o vet precisou fazer receita - pelo menos só preciso tomar 6 meses do ano, porque nos outros 6 faz tanto frio que não tem pulga!

Esse é meu novo vet - simpático, mas não gosto de vet e pronto!
Depois de quase 1 mês e meio sossegada me levaram tomar banho.  Só de sentir o cheiro do lugar já sabia o que me aguardava.  Mas não passaram perfume e não puseram lacinho e minha dona pagou uma nota!  O vet falou que aqui tudo bem tomar banho em casa porque, como não é tão úmido quanto no Brasil, eu não vou ficar com cheiro de cachorro molhado.  Minha dona comprou xampu ontem, vamos ver no que vai dar... pelo menos aqui não preciso tomar tanto banho, fico com cheirinho bom por mais tempo pela falta da tal umidade.  A única coisa que estão fazendo  é limpar a minha pata com baby wipes toda vez que volto do passeio - acho tudo uma frescurada, mas sabe como é, compraram sofá novo e eu passo o dia no sofá.

Eu fico aqui todas as manhãs tomando meu solzinho... tem até vista!
Minha dona está sofrendo um pouco pra achar as coisas que eu gosto.  A comida por sorte tinha um pacote aqui perto de casa, mas ela teve que ir de dolly e tudo (ela disse que vai explicar o dolly  no próximo post) buscar, já que é pesado.  Aí o apê é pequeno e ficava cheiro de ração no armário dos casacos, compraram um super pote de ração.  Ela trouxe dois ossos pra mim do Brasil e quando acabaram começou a ficar desesperada atrás deles (ela até me deu o osso daqui e eu gostei, mas é meio fedido, custa 4 dólares e eu comi inteiro em um dia, aí foi vetado) - no final foi achar na Canadian Tire!  Agora sim tenho diversão (é meio duro de roer o tal osso canadense, dura bastante...).

Meus donos assistem um tal de Dog Whisperer que fala que tem que passear e que eles têm que ser os líderes da matilha - eles bem que estão tentando, woof, woof, woof.  Minha dona vai até assistir o show dele ao vivo que vai ter no Air Canada Centre - mas o show é só pra humanos, eu não vou poder ir.  Vamos ver o que sai disso aí.


Estou gostando bastante daqui, principalmente de passear mais nos finais de semana, já que posso ir pra qualquer lugar.  Quando meus donos tiverem carro vamos poder passear mais ainda!  Ainda não sei como vai ser esssa história de neve - já me falaram que alguns cães não gostam muito...  Minha dona já comprou umas botinhas de borracha pra não sujar minha pata de sal - olha só o que me aguarda:

As minhas botinhas são vermelhas também

Por enquanto não tenho roupa de inverno, o vet falou que cachorro é "all-weather", e que roupinha é frescura de humano.  Vamos ver, talvez minha dona compre uma capinha pra eu não me molhar tanto na neve... só o tempo dirá.

Esse ano eu vou passar o Natal nos Estados Unidos - mas nós vamos de carro, avião nunca mais!  Já falaram que eu posso entrar nos States sossegada, não preciso de visto (ueba - afinal, já sou canadense), é só levar meu atestado de vacinação se a pessoa da fronteira encrencar.

Por enquanto é isso pessoal, depois eu volto pra postar mais!

Woof, woof!

Jojo

domingo, 17 de outubro de 2010

Post de 2 meses

Foto de minha autoria, tirada em Toronto Islands


Muita gente faz o post de 1 mês, mas na correria o nosso passou batido.  Hoje completamos 2 meses que chegamos no Canadá, e é impressionante quanta coisa aconteceu.  Meu marido fala muito do tempo Chronos (tempo corrido, contato em meses, dias etc) e o tempo Kairós que, digamos, é o aspecto qualitativo do tempo, ou o tempo medido em experiências vividas.

Nesses 2 meses:
- Mudamos pro Canadá com 4 malas, 2 malas de mão, 2 mochilas, 9 caixas e 1 cachorro
- Ficamos hospedados 2 semanas na casa do meu tio correndo feito loucos atrás das pendências da universidade, apartamento, etc
- Conseguimos um apartamento bárbaro, melhor do que o que tínhamos em SP, com vista e tudo
- Compramos os móveis básicos para o apto (na Ikea, Sears e Craigslist)
- Compramos computadores novos, um pra cada um
- Temos TV a cabo e internet
- Conseguimos os iPhone 4 (esse foi difícil!)
- Temos a carteira de motorista G1 e já marcamos a prova prática da G-full
- Meu marido já está atordoado como mestrado, agora está chegando a época de mid-terms e ele está estudando feito doido
- Estou forte na busca de emprego (pena que esse ainda não chegou...)
- Fomos ver um show do Cirque du Soleil, tirei foto com a minha patinadora preferida, já comprei ingressos pra assistir Wicked e o Encantador de Cães (Cesar Millan)
- Já estamos relativamente bem familiarizados com downtown e o metrô, até falando "em pontos cardeais"
- Tivemos ontem nossa primeira visita oficial, minha melhor amiga do High School veio pra Niagara (EUA) visitar a mãe e vieram até TO nos visitar.  Ficaram aqui até 11 da noite :-)
- Já temos mais taças de vinho do que copos normais (tinha comprado uma caixa com 8 taças e a minha amiga me deu outra caixa com 8 taças de "house warming gift")
- Já estou esquecendo palavras em português - outro dia fiz um trabalho freelancer de tradução e foi super difícil
- Ainda não estamos falando com sotaque canadense, mas pela TV já deu pra perceber os "house"; "out"; "mouse" e os "again" e "against", que pra mim são muito estranhos.  Os house, out, mouse eu até posso incorporar, mas já falei pra não me deixarem falar "agein" ao invés de "again" :-).  Também não incorporamos os eh? - pra dizer a verdade, ainda não ouvi ninguém falando o tal do ,eh?
- Estou fazendo aulas de patinação no gelo, yey!
- Minha mãe colocou no Sedex 10 ontem toda a papelada do nosso processo de Skilled Worker!!!!!  2a feira está lá no consulado!

Quanto ao país, estamos percebendo muitas coisas que por mais que você estude a história, os costumes, é só no in-loco que você vai perceber.
- Vimos a eficiência dos bombeiros e serviços públicos no incêndio aqui em frente ao nosso prédio
- Estamos acompanhando as discussões políticas para as eleições para prefeito que vão acontecer agora
- Estamos entendendo um pouco mais porque a questão imigração é tão complicada para os canadenses - além dos skilled workers & cia, o Canadá recebe muitos refugiados e muitos deles chegam aqui abaixo da linha da pobreza, o que é um problema para a sociedade, querendo ou não - eles por exemplo não estão mais aceitando refugiados do Paquistão

Nossa vida já entrou em uma certa rotina, com horários etc.  Ainda temos muito o que aprender sobre a cidade, região, fazer mais amigos...  Não ter carro é um empecilho para irmos qualquer lugar mais longe (nesses 2 meses, eu só saí de Toronto 1 vez pra Mississauga de ônibus fazer uma entrevista - mas era na highway, então nem posso dizer que vi Mississauga), seja para fazer compras, para passear, para conhecer... Mas tudo a seu tempo.

No geral, estamos bastante satisfeitos com o que conquistamos nesses 2 meses e felizes com as perspectivas que temos.  No meu job search tenho sido bastante "agressiva" - uma headhunter me ligou pra uma vaga para qual eu sou perfeita, mas percebi que ela não "sacou" - não tive dúvidas, entrei no LinkedIn, peguei o nome do diretor de marketing e mandei meu CV diretamente pra ele, que me respondeu e disse que ia encaminhar pra diretora de RH.  Tenho tido retorno mais positivo do que negativo das empresas daqui comparado com o Brasil (o que não deixa de ser impressionante).

Ainda temos muito a vivenciar, aprender e conquistar por aqui, mas o saldo dos primeiros 2 meses é extremamente positivo!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Post extra - Battle of the Blades e foto com minha patinadora favorita!

Olá queridos leitores,

Adorei a repercussão do último post - sei que muita gente lê e não comenta, pode comentar que eu adoro!  Mesmo assim foram 5 comentários no meu post sobre patinação, meu esporte favorito!

Aproveitando o ensejo, estou escrevendo pra dizer que consegui ingresso para assistir à gravação do The Battle of the Blades!!!  Tinha atualizado o post anterior, mas não sei se chegaram a ver.  Consegui pela Ticketmaster e o ingresso custa só 12 dólares, mais barato que o cinema!  E felizmente o raio da Ticketmaster só me cobrou 2 de taxa de serviço para os dois ingressos (acho que a CBC deve ter algum acordo com eles ou algo assim, num ingresso de 25 dólares para outra coisa queriam cobrar 12 de taxa).  Dei graças por eles terem aceito meu cartão de crédito emitido no BR (até agora nada de cartão canadense, assunto pra outro post) e foi um parto pra conseguir retirar os ingressos, mas domingão estávamos lá nós, eu e o marido, no estúdio.

A gravação estava marcada pra começar 18:30 mas começou mesmo 19hs - o programa é "ao vivo" apenas em Newfoundland, que é o 1o fuso horário do Canadá, no resto do país não tem jeito de ser ao vivo de verdade - aqui em Toronto passa 8 da noite.  Chegamos lá 17:30, hora de abertura dos portões.  Tudo super calmo, male-male checaram os ingressos...  Quando entramos alguns patinadores estavam fazendo aquecimento e logo logo entrou a Ekaterina Gordeeva com a dupla dela pra fazer o aquecimento.  Percebi que várias pessoas estavam tirando fotos e pegando autógrafos com os patinadores - eu resolvi seguir a regra do site de "no cameras" e não levei nem minha câmera de bolso, só o celular mesmo.  Pensei: não vou querer tirar foto do show já que não vai sair boa mesmo, tiro algumas com o iPhone e depois pego na internet.  Mas não me lembrei do detalhe - foto com os patinadores!!!!

Ekaterina Gordeeva
Várias pessoas estavam tirando foto com uma canadense chamada Jamie Salé, que ganhou medalha de ouro em 2002 nas Olimpíadas (eu sinceramente não a conhecia, é difícil saber os nomes de todos os patinadores no Brasil onde é quase impossível assistir essas competições).  Eu mal dei bola pra ela, coitada, falei um good luck numa hora que estávamos só eu e ela - ela meio que ficou esperando eu pedir autógrafo ou algo assim.  De repente eu vi um pessoal falando "Katia, Katia", e a Ekaterina fazendo sinal de que daqui a pouquinho iria vir até ali.  Cheguei e perguntei: ela vai vir aqui???  Eu sem papel, sem caneta, sem câmera, meu marido brincando no telefone dele na arquibancada, já avisei uma menina que ela que iria tirar a minha foto com meu pobre celular se ela viesse mesmo.  E ela veio, super simpática.  Éramos umas 4 pessoas ali esperando por ela, ela atendeu todo mundo mas meio que senti que estava querendo ir embora - nisso meu marido percebeu e desceu e se preparou para fotografar - e eu soltei um "Katia, I came all the way from Brazil!"  Ela "Brazil, wow!".  Super fofa.  Gente, ela além de ser mignon é muito magra, deu até aflição!  Pena que a foto do iPhone não ficou lá essas coisas (justo eu que tenho uma mega câmera), mas o que vale é a lembrança - e pena que não ponho foto minha nesse blog para vocês verem :-( Mas segue a foto oficial dela do programa aqui ao lado.  Gente, juro, me senti a própria adolescente no show de rock!  Quase chorei de emoção (e eu sempre achei brega gente chorar quando vê alguém famoso, rs rs rs).  Como coloquei no meu Facebook: "For some, it is Bono, for some, it is Madonna... for me is Ekaterina Gordeeva, my rock star!" - tenho uma amiga sueca que também é patinadora se mordendo de inveja lá na Suécia, ha ha ha.

O show foi MUITO legal de assistir ao vivo.  Eles fazem animação antes, é muito bacana ver todas as câmeras, os patinadores fazendo aquecimento no intervalo... E tem que fazer barulho, eles falavam "Everybody in Canada wants to be here where you are!  I want to hear it!  Make lots of noise".  Sai de lá com a mão doendo de bater palma e com a garganta doendo um pouco de gritar - até meu marido que estava "aburrido" gostou.  Abaixo algumas fotos (sorry pela qualidade, pra quem está querendo o iPhone 4, foram tiradas com ele, todas sem flash - se clicarem na foto dá pra ver em tamanho maior):


Público entrando - estúdio feito para ser parecido com o Maple Leaf Gardens, onde o programa foi gravado ano passado, mas que hoje está em reforna

Apresentadores e juízes

Katia e Val recebendo as notas e o detalhe no telão


Pra meu alívio, a dupla deles não foi eliminada essa semana (semana passada foi por pouco).  Acho até que não é de interesse dos produtores, que devem estar pagando muito $$$$ pra ela participar do programa - e, sem querer puxar a sardinha, é a melhor dupla, sem dúvida nenhuma.  Mas como conta o "voto popular", além do voto dos juízes, semana passada eles foram uma das 2 duplas que tiveram que patinar de novo na 2a feira (a outra dupla foi a eliminada).  Estava lendo a biografia dela na Wikipedia, o pior resultado da carreira dela foi 2o lugar - a cara que ela fez semana passada quando soube que ia ter que patinar pra não ser eliminada foi impagável!


Quero tentar ir de novo na semana que vem (e quem sabe nas outras semanas também, rs rs rs), já sabendo os "esquemas" e tentar tirar mais fotos!  Por 12 dólares e a 20 minutos de ônibus de casa, tem coisa melhor pra fazer num domingo à noite???


Segue o vídeo da apresentação de domingo:



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Lupatinadora e a patinação no Canadá

Lupatinadora não é só codinome de internet - na verdade, eu entrei na patinação (de rodas, óbvio) com 10 anos de idade e logo na sequência lançaram aquela bonequinha Lupatinadora (pra quem não lembra, segue fotuca).   Como tenho "Lu" no meio do meu nome, foi o que faltava pra um primo me chamar de "Prima Lupatinadora", só de brincadeira.  Isso foi em Santos e patinei toda a adolescência, cheguei a ser federada e tudo - nenhum grande título, rs rs rs, mas é uma paixão e foi uma parte muito importante da minha adolescência.

Em São Paulo, quando fui fazer faculdade, ainda conseguia ir na patinação em Santos às sexta e alguns finais de semana.  Em São Paulo nunca consegui, pois os clubes são longe, eu não tinha carro e os horários de treino normalmente eram 3 da tarde (hora que eu estava trabalhando, rs rs rs).  Acho que consegui ir na patinação até meus 20 anos, depois disso, só de vez em quando em parque, com Rollerblade etc.

Esse ano já em março meu marido me falou qual meu presente de aniversário: um par de patins de gelo!  Ainda estávamos no Brasil, então tive que esperar toda a mudança pro Canadá dar certo.  Nós mudamos pro país certo: patinação é o esporte nacional, consequência da paixão doida que os canadenses têm por hóquei e, claro, a estrela das Olimpíadas de Inverno, a patinação artística no gelo.  Ainda no Brasil já comecei a pesquisar e aqui, além de várias prefeituras oferecerem rinques de patinação grátis no inverno (sim, você leu certo, patinar no gelo aqui é de graça!) e encontrei aulas de patinação para adultos, coisa que não conseguia no Brasil.

Depois de instalados no apê, comecei a pesquisar os lugares para eu fazer minha querida patinação.  Apesar de mais de 10 anos de treino diário, a diferença entre estar em cima de 8 rodas e em cima de duas lâminas existe sim e eu precisava começar do começo.  A surpresa!  O Central Toronto Skating Club, que tem aulas para adultos, fica na minha rua!  Uns 15 minutos andando, mas na minha rua!  Quando descobri fui lá fazer minha matrícula e as aulas já tinham começado e eu ainda não tinha patins!  Já deixei minha matrícula feita (se não ainda corria o risco de não ter mais vaga!) e fui comprar os patins durante a semana.

Fui na Figure Skating Boutique, a loja dos sonhos, rs rs rs.  É cheio de vestidinhos de patinação para meninas, o provador cheio de glitter :-).  A campeã olímpica (que treina aqui em Toronto) compra os patins dela lá, então era realmente o lugar certo pra ir.  Expliquei pra moça minha situação, que estava começando no gelo, que tinha bastante experiência em rodas, que queria patinar mas não ia competir  nem sair fazendo saltos triplos por aí. Ao mesmo tempo precisava ser um patins de qualidade comparável ao que eu tenho de rodas, mas só a bota (que é italiana) era mais de $400!  Sem chance!  A moça entendeu e falou: deixa eu ver se tem algum usado pra você.  Fiquei numa suuuper expectativa, pois um patins usado significaria eu comprar um patins melhor por menos dinheiro.  Eis que, tchan tchan tchan tchan, ela achou do meu tamanho exato!!!!  É de uma marca canadense, Jackson Ultima Skates, e era de uma menina que o pé cresceu e ela comprou outro e deu o dela como parte de pagamento.  Meu modelo é esse aqui, o DJ370 Competitor/Aspire Blade.  Ele não é lindo???

Aproveitei a "viagem" até a loja (que é uns 20 minutos caminhando da última estação de metrô) e comprei os acessórios, protetor pra lâmina, capa pro patins, bolsa etc.  Voltei pra casa que nem criança, feliz da vida!

No domingo seguinte já comecei as aulas.  No início um pouco diferente, mas a gente vai pegando o jeito.  O estranho foi ouvir da professora as instruções iguais às que eu tive nas minhas primeiras aulas de patinação quando eu tinha 10 anos!  A minha turma é beeem beginner mesmo, mas eu preciso de um tempo pra "pegar o jeito".  Assisti a aula depois da minha e já decidi que quero mudar pra essa aula o mais rápido possível!  Eles usam a pista toda (no meu horário a pista é dividida em 4) e fazem movimentos muito mais legais.  Domingo passado já falei pra professora: me diz o que eu preciso fazer pra mudar pra aula das 16hs!  Ela ficou impressionada com a rapidez com que eu estou pegando as coisas (acho que na cabeça dela patinação de rodas é só patinação de rua, Rollerblade, não sei se ela "sacou" que era patinação artística mesmo) e as perguntas que estou fazendo, que segundo ela são suuuper avançadas :-).  Ela falou que mais algumas aulinhas e provavelmente eu já mudo pra outra turma, eba!

Agora o mais legal: no país da patinação, domingo de noite ao invés de Fantástico temos "The Battle of the Blades"!  É um reality show parecido com a Dança dos Famosos (e até aquele de patinação que teve no Faustão, onde by the way eu conhecia quase todos os professores, rs rs rs), só que o esquema é o seguinte: são patinadoras artísticas e jogadores de hóquei aposentados!  Os jogadores de hóquei, normalmente todos brutos e desengonçados, têm que fazer dupla com as patinadoras artísticas, fazer movimentos, dançar, giros, levantamentos etc.  Esse domingo foi o 1o episódio (essa já é a 2a temporada, a primeira foi um estouro de sucesso aqui no Canadá) e uma das minhas patinadoras preferidas, a russa Ekaterina Gordeeva, está participando no "casal russo".  Os jogadores de hóquei até que estão levando jeito, viu?

Pra quem quiser ter um gostinho, lá vai o vídeo da 1a apresentação deles domingo passado.  No início, eles mostram um pouco da carreira de cada um na patinação e no hóquei.  Quem quiser ver mais, pode entrar em cbc.ca/battle, mas os vídeos só estão disponíveis para quem tem provedor no Canadá (quem está em outros países pode tentar o YouTube)




Atualização: consegui ingresso para assistir a gravação do programa ao vivo no domingo!  Happy Canadian Thanksgiving to me!!!!!  Ekaterina Gordeeva, aqui vou eu!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Recebemos a carta da abertura do processo - agora, como tirar os antecedentes?

Olá leitores,

Estamos aqui com visto de estudante/trabalho e em paralelo demos entrada no processo.  Os documentos foram recebidos pelo CIO em Sydney dia 11 de junho e no dia 26 de agosto vi que foram debitadas as taxas no cartão de crédito, então estávamos só esperando a carta.

Para nossa surpresa, recebemos a carta por e-mail hoje!  Imagino que uma por correio deve estar sendo enviada para o endereço dos meus pais (que é nosso endereço de correspondência), vamos ver quanto tempo demora.

Antes de sair do Brasil deixamos tudo pronto para quando chegasse o pedido dos documentos, a única coisa que ficou faltando foi a certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal (a do estado de SP conseguimos).  Estamos tentando pelo site: http://www.dpf.gov.br/servicos/antecedentes-criminais há meses mas toda hora (mesmo 3 da manhã) recebemos o aviso de que o sistema está sobrecarregado, tente novamente mais tarde.    Preciso de ajuda de quem passou por isso recentemente - como vocês fizeram, tiveram que ir na PF?  Já deixei nossos procuradores com procurações específicas pra isso, mas que é muito chato pedir pra eles fazerem isso é, né?

Estamos correndo contra o tempo por 2 motivos: a certidão do estado de SP só tem validade de 90 dias e meu marido tirou a dele dia 31/8 ou seja, temos só mais um mês de validade da certidão e precisamos mandar a papelada pro consulado o mais rápido possível.  O outro é que, se nosso status de residente permanente sair até meados do ano que vem, conseguimos que o meu marido pague preço de canadense no mestrado (metade do preço de international student) - que não deixa de ser um belo motivo, certo?

--Atualizando: sabia que meus leitores não me deixariam na mão!  A Andréa Godoy perguntou se eu estava usando o Google Chrome - sim estava!  Usei o Internet Explorer e deu certo!  Até do maridón argentino deu certo!  Fica aí a dica, preciosíssima!!!!!!!!!  Valeu Andréa!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O 1o incêndio no Canadá a gente nunca esquece...

Felizmente não foi no nosso prédio, mas foi no prédio em frente ao nosso.  E dos poucos que precisaram ser hospitalizados todos estão bem.

Foi num dos prédios de "low income housing" que temos na nossa vizinhança.  O prédio é administrado pelo Toronto Community Housing e além de várias famílias, havia também idosos, pessoas com problemas mentais e, dizem as más línguas, bandidos e traficantes vivendo no prédio.  As 1200 pessoas que  moram lá estão fora desde 6a feira e não vão poder voltar até terem certeza de que o incêndio não afetou a estrutura do prédio.

Eu estava chegando em casa quando o fogo estava começando.  Aproveitei para registrar as chamas impressionantes e o trabalho dos bombeiros.  Minha foto foi até publicada na 1a página do CP24.com, canal de notícias aqui de Toronto.

Impressionante a organização, foi um 6-alarm fire que descobrimos que bombeiros de 6 quartéis vieram pra cá.  Eles demoraram 6 horas para apagar o fogo do apartamento principal e um tempão pra evacuar o prédio.  Foi aterrorizante ver as pessoas nas varandas, um senhorzinho ficava enchendo uma panela com água e jogando pela varanda.  As pessoas não pareciam desesperadas, mas realmente não sei porque não saíram, principalmente às que estavam do outro lado do edifício (que é gigante) - só posso imaginar que havia fumaça no corredor ou que eram pessoas com problemas de saúde ou problemas mentais.  Na frente há um community centre e rapidamente já estava distribuindo água, na sequência arrumaram alojamento pra todo mundo e os ônibus do TTC levavam e traziam as pessoas para os vários alojamentos.  A Cruz Vermelha distribuiu cobertores (no dia do incêndio fez um calor de 30 graus e na sequência a temperatura caiu - muita gente estava apenas de camiseta).  No dia seguinte, o Toronto Animal Services entrou nos apartamentos para retirar todos os animais de estimação que haviam ficado presos - estavam todos felizes com seus donos no jardim do community centre.

O problema agora é que as pessoas já estão há 4 dias desalojadas e ainda não há previsão de quando vão poder voltar pros apartamentos (se é que vão poder voltar).

Serviu pra nos lembrar que incêndio aqui não é brincadeira pois as estruturas são de madeira e queimam muito rápido.  E também da importância do tenant's insurance (que no nosso caso foi obrigatório para alugar o apto), que cobre o que está dentro do apartamento inclusive suas posses em vários casos inclusive incêndio.

Abaixo minha reportagem fotográfica do evento:

Imagem impressionante das labaredas e um morador 2 andares abaixo!


Um pedaço da varanda do 24o andar caiu e iniciou um novo foco de incêndio uns 10 andares pra baixo.  Vejam o morador do andar de cima olhando!


Bombeiros apagando o 2o foco


Nosso prédio à direita, com direito à carro de TV na frente pela vista "privilegiada" do incêndio


Trabalho dos bombeiros.  
Havia 120 bombeiros de toda a cidade e uns 30 veículos de emergência (bombeiros, ambulância, polícia...)

 Minha foto na 1a página do site de notícias local.  Esses aí foram aplaudidos quando saíram!